Mostra Viagem no Tempo no Cinema
Um piloto que viaja no tempo junta-se a seu eu mais jovem e a seu falecido pai para chegar a um acordo com seu passado e salvar o futuro.
O Projeto Adam (2022) - IMDbDir: Shawn Levy
Viagem no Tempo, Ação, Aventura, Comédia, Ficção Científica
MP4 / HD / LEG: Português
IMDB: 6,7 METASCORE: 5,5
The Adam Project, dirigido por Shawn Levy, é um filme
que reinterpreta a viagem no tempo a partir de uma chave afetiva e
reconciliadora, combinando aventura sci-fi, humor e drama familiar.
Diferente das narrativas obcecadas por paradoxos insolúveis ou guerras
temporais, aqui o tempo funciona como perseguição emocional: não se foge
do passado, mas retorna a ele para encará-lo.
No contexto da mostra, o filme se integra ao NÚCLEO 15 —
Fechamento Histórico-Conceitual, onde o tempo aparece como obsessão
final — não mais científica ou estratégica, mas humana.
O tempo como acerto de contas
A premissa coloca o protagonista adulto frente a frente com
sua versão infantil. Esse encontro não visa corrigir eventos históricos nem
salvar o mundo por meios espetaculares, mas
revisitar feridas emocionais:
luto, culpa, ressentimento e silêncio.
A viagem no tempo não serve para “mudar o que aconteceu”, e
sim para mudar como se vive com o que aconteceu.
👉 O passado não é inimigo
externo — é algo que continua agindo dentro de nós.
Tecnologia como gatilho, não como solução
Embora o filme apresente jatos futuristas e conspirações
corporativas, esses elementos funcionam como moldura narrativa. O
verdadeiro conflito não está no funcionamento da tecnologia, mas no impacto
humano de sua existência.
A máquina do tempo não promete controle absoluto. Ela apenas
força encontros inevitáveis.
Perseguição íntima, não histórica
Ao contrário de
Tenet ou
The Terminator, onde
o tempo persegue o presente como força hostil, em
The Adam Project a
perseguição é
psicológica. O protagonista é constantemente confrontado
por aquilo que tentou deixar para trás: a criança que foi e o pai que perdeu.
O tempo age como consciência persistente.
Pai, filho e a transmissão do tempo
O núcleo emocional do filme está na relação entre gerações.
O tempo não flui apenas como linha cronológica, mas como
herança emocional.
O que não é dito, resolvido ou compreendido reaparece, não como paradoxo, mas
como padrão repetido.
👉 Viajar no tempo aqui é
interromper a transmissão automática da dor.
Escolher não corrigir
Um gesto fundamental do filme é a recusa em “consertar” o
passado. Certos eventos — especialmente perdas — não devem ser apagados. O
aprendizado não está em evitar a dor, mas em
integrá-la à identidade.
O tempo não é editável sem custo.
Ele é formador.
Lugar no subgênero da viagem no tempo
Dentro da cartografia da mostra,
The Adam Project
dialoga com:
- About
Time (tempo como amadurecimento),
- Peggy
Sue Got Married (revisão afetiva),
- Time
After Time (perseguição ética).
Mas se diferencia por seu tom conciliador, quase
terapêutico. Onde outros filmes encerram o percurso com paranoia ou desencanto,
este oferece reparação simbólica.
No NÚCLEO 15, ele funciona como contraponto final a Tenet:
se lá o tempo exige vigilância eterna, aqui ele pede escuta e reconciliação.
Conclusão: parar de fugir de si mesmo
O Projeto Adam sustenta uma ideia simples e potente
para o fechamento da mostra:
não viajamos no tempo para mudar o mundo,
mas para finalmente conversar com quem fomos.
A obsessão temporal, no fim, não é com o futuro — é com o
passado que ainda nos persegue. Ao permitir esse encontro, o filme propõe que o
verdadeiro fim da viagem no tempo não é o controle, mas a aceitação.
Dentro do NÚCLEO 15, The Adam Project encerra
o percurso lembrando que, depois de paradoxos, guerras e obsessões, o tempo
continua sendo — antes de tudo — uma experiência humana que pede
compreensão, não domínio.