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sexta-feira, 6 de março de 2026

Além das Nuvens (1995) Al di là delle nuvole - 1 h 50 min

MOSTRA ARQUITETURAS DO VAZIO — O Universo de Antonioni

Quatro histórias sobre relacionamentos curtos ou longos entre homens e mulheres na Itália e na França.


Além das Nuvens (1995) - IMDb
Dir: Michelangelo Antonioni, Wim Wenders
Drama, Romance




IMDB: 6,4   METASCORE: 6,6
68%Tomatometer22 Reviews   67%Popcornmeter

Quatro histórias de amor — quatro encontros com o mistério do desejo.

Um retorno contemplativo

Realizado por Michelangelo Antonioni em colaboração com Wim Wenders, Além das Nuvens marca o retorno de Antonioni ao cinema após mais de uma década afastado da direção. O filme surge depois do grave derrame sofrido pelo cineasta nos anos 1980, e sua realização só foi possível com o apoio de Wenders, que ajudou a completar a produção mantendo o espírito estético e filosófico do diretor italiano.

Estruturado em quatro episódios independentes, o filme acompanha encontros amorosos em diferentes cidades europeias. Em cada história, personagens se aproximam, hesitam, desejam e se afastam, revelando a complexidade dos sentimentos humanos e a dificuldade de transformar o desejo em relação concreta.



O amor como enigma

Diferentemente do romance tradicional, Antonioni observa o amor como um território ambíguo, marcado por silêncios, dúvidas e incompreensões. Os personagens parecem sempre à beira de uma revelação emocional que nunca se completa totalmente.

As paisagens urbanas, os interiores elegantes e os espaços vazios continuam a desempenhar um papel fundamental na narrativa. Como em suas obras mais famosas, o espaço não serve apenas de cenário, mas funciona como extensão do estado interior dos personagens.




Um cinema de observação


O próprio Antonioni aparece no filme interpretando um diretor que viaja pela Europa em busca de histórias. Essa presença confere ao filme um caráter quase ensaístico, aproximando-o de uma reflexão sobre o próprio ato de observar o mundo e transformá-lo em cinema.

A narrativa se constrói através de fragmentos, encontros e impressões visuais, reforçando a ideia de que o amor — assim como a vida — é feito de momentos incompletos.



Leitura Crítica


Além das Nuvens
funciona como uma espécie de epílogo poético da obra de Antonioni. O filme retoma temas centrais de sua filmografia — incomunicabilidade, desejo, distância emocional — agora filtrados por um olhar mais contemplativo e melancólico. Em vez de respostas, o cineasta oferece imagens suspensas e encontros efêmeros, como se sugerisse que o amor e o sentido da vida talvez existam justamente além daquilo que conseguimos compreender plenamente. 🎬

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Que? (1972) Che? - 1 h 54 min

Mostra Roman Polanski - Cinema do Cerco

Durante suas férias na Itália, uma jovem e bela turista americana se encontra hospedada em uma vila costeira, habitada por um grupo de pessoas estranhas.


Que? (1972) - IMDb
Dir: Roman Polanski
Comédia de Humor Negro, Farsa

MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 5,5
15%Tomatometer13 Reviews   48%Popcornmeter




Entre Macbeth e Chinatown, Roman Polanski realiza aquele que talvez seja o filme mais deliberadamente provocador, errático e hostil ao espectador de toda a sua filmografia. Que? é uma comédia erótica surreal que funciona menos como narrativa tradicional e mais como experiência de desorientação, um filme que parece sabotar a si mesmo a cada cena.

Um pesadelo em forma de farsa

A história acompanha Nancy, uma jovem americana que, após um acidente de carro, acaba em uma vila italiana decadente, habitada por figuras excêntricas, grotescas e sexualmente invasivas. A partir daí, o filme se organiza como uma sucessão de situações absurdas, diálogos truncados e episódios que se recusam a fazer sentido pleno.

O título já antecipa o método: Que? não pede interpretação coerente — ele responde à tentativa de compreensão com ironia.



O corpo como território de abuso

Diferente da sensualidade clássica ou da comédia erótica tradicional, o sexo em Que? é invasivo, constrangedor, frequentemente humilhante. O corpo feminino é constantemente observado, comentado, disputado, sem que isso gere prazer narrativo ou identificação.

Polanski transforma a erotização em desconforto, desmontando a expectativa de leveza associada ao gênero. O desejo aqui não liberta — constrange e expõe.



Linguagem, ruído e incomunicabilidade

O filme é multilíngue, caótico e propositalmente confuso. Personagens falam diferentes idiomas, interrompem uns aos outros, repetem frases, desviam do assunto. A comunicação nunca se estabelece plenamente.

Esse ruído constante não é descuido: ele reflete um mundo em que não existe centro moral, narrativo ou cultural estável. Tudo é superfície, performance, simulação.




Sátira do privilégio e da decadência europeia

Os habitantes da vila representam caricaturas de uma elite cultural em decomposição: artistas, intelectuais, burgueses libertinos. Todos se mostram vazios, autocentrados, predatórios.

Nesse sentido, Que? pode ser lido como uma sátira cruel do turismo cultural, do exotismo europeu visto pelo olhar americano e da falsa sofisticação que encobre relações de poder profundamente assimétricas.




Um filme contra o espectador


Poucos filmes de Polanski parecem tão empenhados em frustrar expectativas. Não há arco dramático claro, evolução psicológica consistente ou resolução satisfatória. As cenas terminam abruptamente, as motivações são opacas, os personagens entram e saem sem explicação.

O efeito não é o riso confortável, mas a irritação — sensação que o filme parece buscar ativamente.



Lugar na filmografia

Frequentemente tratado como obra “menor” ou “fracasso”, Que? ganha outra dimensão quando visto dentro do percurso de Polanski. Ele funciona como:

  • experimento radical de linguagem
  • ataque à ideia de narrativa coerente
  • sátira do liberalismo sexual vazio
  • retrato do mundo como teatro grotesco

É o filme em que Polanski abandona qualquer pacto de empatia com o público.


Conclusão

Que? não quer ser amado, compreendido ou reavaliado de forma confortável. Ele existe como gesto de negação — da moral burguesa, da comédia erótica, do cinema narrativo clássico e até do próprio prestígio do diretor.

Caótico, ofensivo e deliberadamente inconcluso, é um filme que pergunta o tempo todo — que? — não esperando resposta. E, ao fazer isso, revela uma das faces mais cínicas e radicais do cinema de Roman Polanski: a de um autor disposto a romper completamente com o espectador para expor o vazio por trás do jogo social.



quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Ontem, Hoje e Amanhã (1963) Ieri, oggi, domani - 1 h 58 min

 Três mulheres muito diferentes, suas histórias e os homens que elas atraem.


Ontem, Hoje e Amanhã (1963) - IMDb
Dir: Vittorio De Sica
Comédia, Romance


MP4 / SD+ / LEG: Português

IMDB: 7,2
78%Tomatometer9 Reviews   81%Popcornmeter


Ontem, Hoje e Amanhã (1963) – O encanto cômico e social de três mulheres, um homem e uma Itália em transformação

Ieri, oggi, domani é um dos filmes mais famosos da parceria entre Vittorio De Sica e o casal artístico Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Dividido em três episódios independentes — “Adelina”, “Anna” e “Mara” — o longa constrói um retrato multifacetado da Itália do pós-guerra, pontuado por humor, crítica social e uma sensualidade elegante, nunca vulgar.

Apesar do tom leve, a obra dialoga profundamente com as mudanças econômicas, morais e culturais que atravessavam o país nos anos 60. Cada episódio funciona como um pequeno estudo de personagem, de classe e de desejo.


1. Adelina – A força popular da sobrevivência

Ambientado em Nápoles, este é o segmento mais social do filme.
Adelina, interpretada por Sophia Loren, é uma vendedora de rua que acumula dívidas e precisa lidar com uma ameaça constante de prisão. Para escapar do cárcere, aproveita uma brecha legal insólita: grávidas não podem ser presas. O resultado é uma maratona de maternidades que exaurem tanto o corpo de Adelina quanto o de seu marido Carmine (Mastroianni).

Temas centrais:

  • Pobreza e informalidade: O episódio retrata de maneira cômica, mas realista, a precariedade das classes populares italianas.
  • A mulher como sustentação doméstica e emocional: Adelina é uma figura gigantesca — decidida, resiliente e capaz de manipular o sistema para proteger a família.
  • Crítica ao Estado e à burocracia: A lei é absurda, e o filme tira humor justamente da distância entre o aparato legal e as necessidades humanas.

Significado:
Adelina representa a mulher popular italiana, cuja força de trabalho e vitalidade sustentam um país ainda frágil. A comicidade nasce do exagero, mas fundamenta-se em tensões reais.


2. Anna – A burguesia enclausurada

Em contraste total com o calor e o caos de Nápoles, o segundo episódio é milanês, frio e moderno.
Anna é uma mulher rica que circula pela cidade em um carro de luxo, acompanhada do amante (Mastroianni). Mas sua frivolidade revela uma burguesia vazia, que atribui mais valor a objetos que a pessoas.

Temas centrais:

  • O consumismo como vício moral: Anna ama mais o carro — símbolo máximo do status — do que qualquer relação.
  • Alienação da classe alta: O episódio expõe um mundo onde emoções são superficiais e decisões são tomadas por capricho.
  • O contraste norte–sul: De Sica cria um choque cultural proposital — da exuberância napolitana para a frieza industrial de Milão.

Significado:
Anna encarna a mulher burguesa moderna, emancipada no papel, mas limitada pela lógica do consumo e da aparência. É o episódio mais ácido, quase satírico.


3. Mara – A sensualidade como teatro

Em Roma, encontramos Mara, uma prostituta de luxo cujo apartamento se torna palco de encontros com um cliente apaixonado (Mastroianni) e de situações cômicas com um jovem seminarista que se encanta por ela.

Temas centrais:

  • A teatralidade da sedução: Mara domina seu espaço como uma atriz controla o palco — cada gesto é calculado.
  • O desejo masculino como fragilidade: Mastroianni aparece aqui quase sempre dominado, parodiando padrões de virilidade.
  • O erotismo como forma de poder feminino: Loren, no célebre strip-tease final, mostra uma sexualidade que é mais comando do que submissão.

Significado:
Mara simboliza a mulher autônoma, consciente de seus meios e de sua posição. O episódio é o mais leve e bem-humorado, mas também o mais refinado em termos de mise-en-scène e de ritmo cômico.



O que une os três episódios?

Apesar das diferenças, De Sica tece uma unidade temática clara:

1. O retrato da Itália plural

O filme percorre Nápoles, Milão e Roma, compondo um mosaico de geografias sociais — popular, burguesa e boêmia.

2. A mulher como centro narrativo

Sophia Loren interpreta não apenas três personagens, mas três arquétipos femininos italianos: a mãe popular, a burguesa moderna e a cortesã sofisticada.

3. A comédia como crítica

A leveza do tom esconde reflexões sobre:

  • controles sociais do corpo feminino
  • desigualdade econômica
  • consumismo
  • moralidade e desejo
  • papéis de gênero em transformação

4. A química Loren–Mastroianni

A dupla atinge aqui um dos ápices de sua parceria, combinando humor físico, charme e timing impecável.



Conclusão

Ontem, Hoje e Amanhã permanece não só como um clássico do cinema italiano, mas também como um documento cultural sobre três Itálias coexistindo. A mistura de comédia, crítica social e sensualidade sofisticada faz do filme uma obra leve na superfície e profunda no subtexto — uma celebração das contradições humanas, das diferenças de classe e do magnetismo de Sophia Loren em seu auge absoluto.

 





terça-feira, 23 de setembro de 2025

Olhos Negros (1987) Oci ciornie - 1 h 58 min

Um italiano conta sua história de amor a um russo. Em uma série de flashbacks, Romano Patroni deixa sua esposa para visitar um spa onde se apaixona por uma mulher russa. Ele retorna à Itália decidido a deixar sua esposa e se casar com seu amor.


Dir: Nikita Mikhalkov
Comédia, Drama, Romance


MP4 / HD / LEG: Inglês e português traduzido

IMDB: 7,3
89%Tomatometer9 Reviews   92%Popcornmeter



"Olhos Negros" é uma obra-prima que combina drama e romance de forma poética, oferecendo uma visão profunda sobre os altos e baixos da vida amorosa. É um filme que ressoa com qualquer um que já tenha experimentado a fragilidade do amor.

Curiosidades

•             O filme é uma adaptação de contos de Anton Tchekhov, um dos maiores escritores russos.

•             A cinematografia é notável, capturando a beleza das paisagens italianas.