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terça-feira, 31 de março de 2026

Socorro! (2026) Send Help - 1 h 53 min

CINEMA 2026: O que Vale Ver

Após acidente aéreo, dois rivais são os únicos sobreviventes em uma ilha deserta. Entre conflitos do passado e a luta pela sobrevivência, eles precisam decidir se cooperam ou competem para escapar.


Socorro! (2026) - IMDb
Dir: Sam Raimi
Comédia de Humor Negro, Sobrevivência, Suspense Psicológico, Terror Psicológico, Aventura


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,8   METASCORE: 7,5
Letterboxd: 6,8
93%Tomatometer275 Reviews   87%Popcornmeter

Linda Liddle é a funcionária que ninguém nota, que todo mundo usa e que ninguém respeita. Depois que o avião cai numa ilha deserta, isso deixa de ser problema dela.

Raimi de volta ao que sabe fazer

Send Help é o primeiro filme de Sam Raimi sem elementos sobrenaturais ou super-humanos desde For Love of the Game em 1999, mas isso não o impede de aplicar todos os seus truques de câmera e tropos visuais característicos. Dezessete anos depois de Drag Me to Hell, Raimi voltou ao horror com um filme original, classificação R, sem remake, sem sequência, sem universo expandido. É atualmente seu filme mais bem avaliado no Tomatômetro desde Spider-Man 2. Esse dado diz algo sobre o estado do cinema de gênero e sobre o que acontece quando um diretor com esse repertório recebe liberdade criativa de verdade.

Rachel McAdams e a performance que ninguém esperava

McAdams entrega o que pode ser a melhor performance de sua carreira em Send Help. É uma linha tênue entre inteligência e irritação, e ela navega por ela com a segurança de alguém que entende que o personagem precisa ser companheiro antes de ser herói. Linda Liddle é uma funcionária socialmente desajeitada, constantemente humilhada e completamente invisível no ambiente corporativo, até o momento em que o avião cai e o poder muda de mãos de forma definitiva. Raimi havia trabalhado com McAdams em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e a considerava subutilizada. Send Help foi projetado para mostrar do que ela é capaz. Funcionou.

A ilha como inversão de hierarquias


Send Help é uma pequena fábula moral sobre como rapidamente o mundo dog-eats-dog do capitalismo pode escalar para um horror completo. O roteiro de Damian Shannon e Mark Swift é afiado e engraçado, com insights perspicazes sobre misoginia no ambiente de trabalho e a dinâmica em mudança entre um chefe masculino tóxico e uma funcionária esquecida e maltratada. Bradley, o chefe interpretado por Dylan O'Brien, é o tipo de personagem que o espectador quer ver sofrer desde o primeiro momento em que abre a boca, e o filme tem a inteligência de não simplificar o que acontece quando ele finalmente sofre. O'Brien oferece profundidade genuína suficiente para nos forçar, em alguns momentos, a questionar a desumanidade de Bradley.

O Raimi que não desaparece

Crash zooms, cortes combinados, baldes de sangue e bile, efeitos especiais às vezes toscos mas de forma que parece intencional: mesmo depois de 17 anos afastado do horror, a paixão de Raimi pelo gênero ainda queima de forma absurdamente intensa. Danny Elfman assina a trilha com uma leveza que define o tom desde a abertura. Send Help tem a qualidade específica dos filmes de Raimi que funcionam: você ri e depois percebe que está com medo, ou está com medo e percebe que está rindo, e a fronteira entre os dois estados nunca é clara o suficiente para o espectador se acomodar.

O que não funciona completamente

O filme perde o nervo quando tenta análise de personagem mais profunda além do caos, e o final divide opiniões. Alguns críticos apontam que Send Help exagera em reviravoltas barrocas desnecessárias e começa a perder fôlego perto do final. São ressalvas reais, mas que não comprometem o conjunto: um filme de Raimi que perde um pouco o rumo no terceiro ato ainda é um filme de Raimi funcionando acima da média do gênero.

Onde assistir

Send Help está disponível na Filmoteca Seu Manolo. Foi lançado nos cinemas em 30 de janeiro de 2026 e arrecadou 94 milhões de dólares com orçamento de 40 milhões. O filme tem um primeiro ato que estabelece o ambiente corporativo com uma precisão cômica que torna o que vem depois ainda mais satisfatório. Humor negro e situações que saem completamente dos trilhos de forma proposital.

Por que vale ver


Send Help existe porque Sam Raimi recusou fazer um filme exclusivo para streaming e insistiu numa estreia nos cinemas. Essa recusa diz algo sobre o filme antes de assistir: é cinema feito para ser visto numa sala, com público, com o som alto e com a experiência coletiva de não saber se vai rir ou gritar na próxima cena. Pessoas dizem que não fazem mais filmes como antigamente. Fazem. E é Sam Raimi fazendo. Em 2026, isso já é suficiente para valer o ingresso.