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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Psicopata Americano (2000) American Psycho - 1 h 42 min

 Filme incluso na mostra da Filmoteca Seu Manolo:



Assassino em Série, Comédia de Humor Negro, Drama no Trabaho, Drama Psicologico, Terror Psicológico, Crime, Horror

MP4 / HD / LEG: Português

AVALIAÇÕES:
IMDB: 7,6   METASCORE: 6,4
Letterboxd: 7,6   CLC Balanced Rating: 7,1
69%Tomatometer251 Reviews

Patrick Bateman tem o cartão de visitas mais branco, a rotina matinal mais precisa e o emprego mais vazio de Wall Street. Ninguém percebe quando ele começa a matar.


A adaptação que ninguém esperava

Bret Easton Ellis publicou American Psycho em 1991 e o livro foi recebido com uma controvérsia que ofuscou qualquer discussão sobre o que o romance realmente fazia. As descrições gráficas de violência dominaram a recepção e a sátira ao consumismo e ao vazio moral de Wall Street ficou em segundo plano. Mary Harron, diretora que havia feito I Shot Andy Warhol, assumiu o projeto depois de anos de tentativas frustradas de outros diretores e escreveu o roteiro com Guinevere Turner com uma decisão central: o filme seria uma comédia. Uma comédia sobre horror, mas comédia.

Essa escolha é o que separa o filme do livro de forma mais decisiva. Harron entendeu que a violência de Bateman só fazia sentido como sátira se o filme não a tratasse com o peso que um thriller convencional exigiria. O resultado incomodou parte do público que esperava terror direto e surpreendeu quem esperava apenas violência gratuita.


Christian Bale e a superfície perfeita

Christian Bale interpreta Bateman com uma precisão que o tornou, anos depois, o elemento mais celebrado do filme, mas que na época não recebeu o reconhecimento que merecia. Bateman é um homem sem interior reconhecível. Tem rotina de skincare mais elaborada que qualquer outro personagem do filme, tem opiniões fortes sobre cartões de visita e referências musicais que recita como quem lê um roteiro preparado, e não tem nada por trás disso.

Bale construiu a performance estudando apresentadores de televisão e personalidades públicas que projetam uma confiança vazia, sem substância emocional real. O sorriso de Bateman é o elemento mais assustador do filme porque é genuíno e ao mesmo tempo completamente performático. Não há contradição nisso. É exatamente o ponto.


Wall Street como ecossistema de indistinção

O filme se passa em 1987, no ápice do boom financeiro americano, e a sátira mais afiada de Harron não está em Bateman individualmente, mas no ambiente que o produziu e que o protege. Os colegas de Bateman são intercambiáveis. Eles confundem uns aos outros constantemente, trocam de identidade sem perceber, competem por reservas em restaurantes e por cartões de visita com a mesma intensidade emocional que dedicariam a qualquer coisa que importasse.

A cena dos cartões de visita é o momento que melhor resume o filme. Quatro homens comparam pedaços de papel com tipografia e textura levemente diferentes e a tensão na cena é genuína, ridícula e reveladora ao mesmo tempo. Num mundo onde a diferença entre as pessoas é medida por detalhes assim, um assassino serial pode operar sem ser notado porque ninguém está prestando atenção suficiente em ninguém para notar qualquer coisa.


O final e a ambiguidade que divide

O terceiro ato de American Psycho introduz uma ambiguidade que o filme nunca resolve: os crimes de Bateman aconteceram de fato, ou são fantasias de um homem que perdeu completamente a noção entre o que faz e o que imagina fazer? O advogado que deveria ter recebido a confissão de Bateman não reconhece o nome da vítima, o apartamento onde os corpos deveriam estar está limpo e à venda, e o próprio Bateman termina o filme sem punição e sem resolução.

Harron filma essa ambiguidade sem indicar qual leitura é a correta, e essa recusa é o argumento final do filme. Não importa se os crimes aconteceram literalmente. O que importa é que, num sistema como aquele, a diferença entre cometer os crimes e poder cometê-los sem consequência é irrelevante. Bateman termina o filme dizendo que sua confissão não significou nada e o filme concorda com ele.


O que o tempo revelou

American Psycho foi recebido em 2000 como uma sátira competente mas secundária, ofuscada pela controvérsia em torno da fonte literária. Duas décadas e meia depois, o filme se tornou um dos textos mais citados sobre masculinidade tóxica, vazio corporativo e a estética específica do final dos anos 1980, recuperado por gerações que nunca leram Ellis e que reconhecem em Bateman algo que continua circulando.

A ironia é que o filme satiriza um tipo de homem que a internet, décadas depois, em parte passou a admirar sem ironia. Harron filmou Bateman como aviso. Parte do público que descobriu o filme depois o leu como modelo. Essa distância entre intenção e recepção é, talvez, a prova mais contundente de que a sátira continua precisa.






segunda-feira, 16 de março de 2026

Johnny & June (2005) Walk the Line - 2 h 16 min

MOSTRA ENTRE ACORDES E ABISMOS - O cinema diante do mito do artista musical

Uma crônica da vida da lenda da música country Johnny Cash, desde seus primeiros dias em uma fazenda de algodão em Arkansas até sua fama com a Sun Records em Memphis, onde gravou ao lado de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins.


Johnny & June (2005) - IMDb
Dir: James Mangold
Docudrama, Drama de Época, Drama do Mundo do Espetáculo, Romance Trágico, Biografia, Música



MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 7,8   METASCORE: 7,2
FLICK METRIX: 76   Criticker Average Percentile: 73.24%
83%Tomatometer208 Reviews   90%Popcornmeter

Entre pecado e redenção, uma vida cantada em voz rouca.


A origem de uma voz inconfundível

O filme acompanha a trajetória de Johnny Cash, desde sua infância no sul rural dos Estados Unidos até sua ascensão como uma das figuras mais emblemáticas da música country. Marcado por perdas familiares e por uma juventude inquieta, Cash encontra na música um caminho para expressar suas inquietações e construir uma identidade artística singular.





Uma história de amor e parceria

No centro da narrativa está a relação entre Johnny Cash e a cantora June Carter, cuja presença se torna fundamental em sua vida pessoal e artística. Entre turnês, conflitos e momentos de fragilidade, o relacionamento dos dois evolui de amizade para uma parceria profunda que atravessa os momentos mais difíceis da carreira do músico.





O som da América profunda

Dirigido por James Mangold, o filme recria o ambiente da música country e do rockabilly nas décadas de 1950 e 1960. As canções de Cash, marcadas por uma voz grave e por temas ligados à fé, culpa e redenção, refletem a paisagem humana da América rural e contribuem para definir um estilo musical inconfundível.





Recepção e Legado

Walk the Line recebeu ampla aclamação crítica e várias indicações ao Oscar, destacando-se especialmente pela interpretação de Joaquin Phoenix como Johnny Cash e pela atuação premiada com o Oscar de Reese Witherspoon, no papel de June Carter. O filme ajudou a renovar o interesse pela obra de Cash e consolidou-se como uma das cinebiografias musicais mais populares do cinema contemporâneo.


Leitura Crítica


Johnny & June
apresenta a vida de Johnny Cash como uma jornada marcada por contradições — entre fé e autodestruição, sucesso e solidão. Ao acompanhar sua relação com June Carter, o filme sugere que a música de Cash nasceu precisamente desse conflito interior, transformando sua biografia em uma narrativa profundamente americana de queda, amor e redenção.






segunda-feira, 29 de setembro de 2025

A Boa Mentira (2014) The Good Lie - 1 h 50 min

Um grupo de refugiados sudaneses, com a chance de se instalar nos Estados Unidos, chegam a Kansas City, Missouri, onde seu encontro com uma conselheira duma agência de empregos muda para sempre sua vida.


Dir: Philippe Falardeau

ONDE ASSISTIR: JustWatch

https://mega.nz/folder/B64RBaDS#sbpIqjJK4K5gFKcYUZX5kA
MP4 - HD-
LEG: Português

IMDB: 7,4   METASCORE: 6,5
84%Tomatometer89 Reviews   82%Popcornmeter

Certified fresh score. Consenso dos críticos

The Good Lie sacrifica nuances da vida real para transformar sua verdadeira história em uma produção de Hollywood, mas os resultados ainda se somam a um drama convincente, bem atuado e profundamente comovente.

Leia as avaliações dos críticos

PAÍS: Quênia, Reese Witherspoon

sábado, 13 de setembro de 2025

Vício Inerente (2014) Inherent Vice - 2 h 28 min

O longa se passa na Los Angeles dos anos 1970. Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) é um detetive viciado em drogas que investiga o sequestro de um bilionário latifundiário. E como se não fosse o bastante, Loc ainda tenta desvendar o sumiço de sua ex-namorada.


Vício Inerente (2014) - IMDb
Dir: Paul Thomas Anderson
Comédia de Humor Negro, Drama de Época, Sátira, Crime, Mistério, Romance


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,6   METASCORE: 8,1
73%Tomatometer252 Reviews   53%Popcornmeter


“Vício Inerente” (2014) - Inherent Vice, dirigido por Paul Thomas Anderson - é uma adaptação delirante, psicodélica e profundamente atmosférica do romance de Thomas Pynchon. Trata-se de uma comédia noir lisérgica, situada no final dos anos 1960, que mistura mistério, paranoia, humor absurdo e melancolia contracultural. É, ao mesmo tempo, um filme policial, uma sátira social e um retrato nostálgico de uma Califórnia que estava desaparecendo.


Enredo

A história acompanha Larry “Doc” Sportello, um detetive particular e maconheiro inveterado, interpretado por Joaquin Phoenix. Doc recebe a visita de sua ex-namorada, Shasta Fay Hepworth, que surge misteriosamente pedindo ajuda: a sua atual relação com um bilionário do ramo imobiliário envolve uma conspiração perigosa.

A partir desse ponto, Doc mergulha em uma teia de personagens excêntricos:

  • Bigfoot Bjornsen, um policial rígido e performático, parte inimigo, parte aliado.
  • Coy Harlingen, músico desaparecido e símbolo da paranoia da época.
  • Hope Harlingen, esposa desesperada que busca respostas.
  • Dr. Rudy Blatnoyd, médico excêntrico ligado a uma seita ocultista.
  • Gangues, hippies, neonazistas, corretores de imóveis e um misterioso navio chamado Golden Fang.

Quanto mais Doc investiga, mais a trama se desmancha: pistas falsas, duplos sentidos, identidades perdidas, memórias turvas. Nada é exatamente o que parece e essa é justamente a essência do filme.


Temas Centrais

1. O fim da inocência dos anos 60

A era do “paz e amor” está morrendo, sendo engolida por interesses corporativos, paranoia política e repressão policial. Doc, um hippie que ficou para trás, caminha como um fantasma dessa era extinta.

2. Paranoia e desorientação

Anderson abraça a lógica caótica de Pynchon: a investigação confunde. A sensação de estar perdido é parte da experiência narrativa.

3. Memória, desejo e perda

A relação entre Doc e Shasta é o coração emocional do filme. Ela encarna tudo o que Doc perdeu e tudo que talvez nunca tenha sido real. O filme inteiro é atravessado por essa névoa de nostalgia romântica.

4. Conspirações e sistemas invisíveis

O Golden Fang, figura recorrente na obra de Pynchon, representa o capitalismo voraz, as instituições clandestinas e as forças que manipulam a sociedade nas sombras.

5. Humor absurdo e caos controlado

Apesar da densidade temática, o filme é extremamente engraçado. Anderson mistura comédia pastelão, ironia fina e situações surreais.


Estilo e Atmosfera

“Vício Inerente” tem:

  • fotografia quente e enevoada, com um visual de sonho psicodélico;
  • trilha sonora de Jonny Greenwood, alternando melancolia e delírio;
  • um ritmo propositalmente errático, como um filme noir fumado;
  • diálogos cheios de trocadilhos, divagações e nonsense;
  • cenas que oscilam entre o drama profundo e o humor delirante.

É um filme para sentir, não necessariamente para decifrar.


Atuações

Joaquin Phoenix entrega uma performance cômica brilhante, física, nervosa e afetiva.
Josh Brolin cria um dos personagens mais icônicos de sua carreira - o policial Bigfoot, simultaneamente ameaçador, tragicômico e absurdamente engraçado.
No conjunto, o elenco - Reese Witherspoon, Benicio Del Toro, Katherine Waterston e Martin Short - compõe uma galeria memorável de figuras estranhas e cativantes.


Impacto e Significado

“Vício Inerente” é talvez o filme mais singular de Anderson:

  • um noir psicodélico que respeita a complexidade de Pynchon,
  • uma obra sobre a perda de um sonho coletivo,
  • uma experiência cinematográfica que mistura melancolia, riso e confusão,
  • um retrato afetivo de um detetive que tenta, desesperadamente, manter algum sentido em um mundo que já não tem sentido algum.

É um daqueles filmes que você pode ver várias vezes e sempre descobrir algo novo ou ficar tão perdido quanto Doc, e ainda assim curtir a viagem.

 



quinta-feira, 4 de setembro de 2025

No Mundo da Lua (1991) The Man in the Moon - 1 h 39 min

Dani tem 14 anos e vive no interior com a cabeça cheia de sonhos e o coração meio perdido. Quando Court se muda para a fazenda ao lado, tudo muda. O que começa como amizade vira um amor delicado e confuso, especialmente quando sua irmã também se vê envolvida. Crescer nunca é simples.


Dir: Robert Mulligan



DOWNLOAD E STREAMING: MEGA
1080p.BluRay.x264.AAC
LEG: Português


IMDB: 7,2   METASCORE: 7,3



Reese Witherspoon