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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Mank (2020) - 2 h 11 min

A Hollywood da década de 1930 é vista através do olhar crítico de Herman J. Mankiewicz, um roteirista que sofre com o alcoolismo enquanto corre para terminar o roteiro de Cidadão Kane para Orson Welles.


Mank (2020) - IMDb
Dir: David Fincher
Docudrama, Drama de Época, Drama do Mundo do Espetáculo, Biografia


MP4 / HD / LEG: Português

IMDB: 6,8   METASCORE: 7,9
83%Tomatometer355 Reviews   63%Popcornmeter


Mank (2020)

Roteiro: Jack Fincher (pai do diretor)
Elenco: Gary Oldman, Amanda Seyfried, Lily Collins, Charles Dance, Arliss Howard, Tom Burke
Estética: Preto e branco em digital, com textura que simula o cinema dos anos 1930–40.


1. Introdução — Fincher Revisitando as Origens de Hollywood

Mank é, ao mesmo tempo:

  • uma homenagem ao cinema clássico,
  • uma reconstrução minuciosa da era de ouro dos estúdios,
  • um estudo de personagem sobre Herman J. Mankiewicz,
  • e uma reflexão amarga sobre poder, autoria e manipulação política.

Diferente dos thrillers sombrios de Fincher, aqui há um tom nostálgico, melancólico e profundamente cinéfilo.
Ainda assim, seu rigor formal e sua visão crítica sobre sistemas de poder continuam intactos.

O filme foi um projeto pessoal — o roteiro foi escrito nos anos 1990 por Jack Fincher, pai do diretor, e David o realizou décadas depois como forma de homenagem póstuma.


2. Enredo — O Homem Por Trás de Cidadão Kane

A narrativa alterna duas linhas temporais:

Linha A: 1940 – Mank escrevendo Citizen Kane

Herman J. Mankiewicz (Gary Oldman), dramaturgo e roteirista brilhante, mas alcoólatra e autodestrutivo, está isolado numa casa de campo por Orson Welles para escrever o roteiro de Cidadão Kane.
Com a perna quebrada, uma secretária (Lily Collins) e uma enfermeira o acompanham enquanto ele se afunda em memórias, dor e álcool.





Linha B: 1930s – Hollywood e Política


Flashbacks mostram sua relação com:

  • William Randolph Hearst (Charles Dance), magnata da imprensa,
  • Marion Davies (Amanda Seyfried), atriz e amante de Hearst,
  • os estúdios MGM e Louis B. Mayer,
  • campanhas políticas manipuladas por Hollywood,
  • a ascensão de um sistema de poder que transforma artistas em peças de propaganda.

O filme revela como a convivência de Mank com essa elite tóxica inspirou o personagem Charles Foster Kane.


3. Temas Principais

3.1. Autor vs. Sistema

Mank é inteligente, sarcástico e idealista, mas está preso a um sistema de estúdios que:

  • compra talentos,
  • destrói consciências,
  • manipula narrativas políticas,
  • transforma arte em propaganda.

O roteiro de Citizen Kane é sua tentativa tardia de recuperar integridade — de fazer algo verdadeiro.

3.2. Hollywood Como Máquina de Ilusões e Poder

Fincher desmascara a ilusão romântica da era de ouro:

  • estúdios manipulam eleições,
  • Hearst molda opinião pública,
  • Mayer explora emocionalmente funcionários,
  • atores e roteiristas são descartáveis.

É o lado sombrio da máquina dos sonhos.

3.3. Memória e Fragmentação

A narrativa funciona como as lembranças de Mank:

  • não lineares,
  • contraditórias,
  • imprecisas,
  • às vezes românticas, às vezes amargas.

Isso ecoa a estrutura de Cidadão Kane, onde a verdade é algo impossível de capturar por completo.

3.4. A Autodestruição do Gênio


Mank é brilhante, mas arruinado por:

  • alcoolismo,
  • autoironia corrosiva,
  • frustração artística,
  • impulsos autossabotadores.

Fincher mostra a dor por trás da genialidade — sem glamour.



3.5. Marion Davies — A Luz na Sombra


Amanda Seyfried interpreta Marion com graça e humanidade.
Ela é uma das poucas figuras genuínas da vida de Mank, e o filme desmonta a fama injusta de que Marion teria sido “ridicularizada” por Kane.


4. Estética — Um Filme Moderno Como Se Fosse Antigo

Fincher e o diretor de fotografia Erik Messerschmidt criam um filme que parece emergir dos anos 1940, mas com tecnologia digital de ponta.

4.1. Preto e Branco com Textura de Película

O filme simula:

  • granulação da época,
  • marcas de cigarro (cigarette burns),
  • baixa profundidade de campo,
  • alto contraste.


É mais do que homenagem — é reconstrução estética.

4.2. Movimentação de Câmera Clássica

Travellings suaves, planos fixos teatrais e iluminação expressionista remetem a Gregg Toland, diretor de fotografia de Cidadão Kane.

4.3. Trilha de Trent Reznor e Atticus Ross

A dupla abandona o eletrônico industrial e compõe uma trilha jazzística que evoca rádios antigos e orquestras da era swing.
É uma das trilhas mais versáteis de sua carreira.

4.4. Montagem que Espelha Kane

Saltos temporais, flashbacks entrelaçados e ritmo cadenciado fazem o filme dialogar diretamente com a estrutura inovadora de Cidadão Kane.


5. Personagens em Destaque

Herman J. Mankiewicz — O Gênio Bêbado

Gary Oldman oferece uma interpretação cheia de camadas:
um homem brilhante que ri de tudo, inclusive de sua própria tragédia.



Marion Davies — A Musa Real


Fincher a retrata como doce, inteligente e atormentada pelos jogos de poder que a cercam.


Hearst — O Dono da Narrativa

Charles Dance encarna Hearst como uma figura paternal e ameaçadora — simpático na superfície, manipulador e implacável por dentro.


6. O Final — A Autoría de Citizen Kane



O filme culmina na luta de Mank para ter seu nome no roteiro de Citizen Kane.
Mesmo debilitado, ele exige crédito.
Welles, furioso, o acusa de ser ingrato.

Mas Mank responde:

“Não vou pedir desculpas por ter feito o meu trabalho.”

Ele sabe que é sua última chance de fazer algo genuíno na vida.

O filme termina com:

  • reconhecimento tardio,
  • tristeza por tudo que foi perdido,
  • orgulho por algo verdadeiro,
  • e um olhar melancólico sobre o papel do artista em um sistema corrompido.

7. Recepção e Legado

Mank recebeu:

  • 10 indicações ao Oscar
  • venceu 2 (fotografia e direção de arte)
  • aclamação por sua estética e rigor histórico
  • elogios à atuação de Amanda Seyfried e Gary Oldman

É visto como:

  • um dos filmes mais pessoais de Fincher,
  • uma homenagem ao pai,
  • um tratado sobre Hollywood e autoria,
  • um complemento moderno à discussão eterna sobre Cidadão Kane.

Conclusão — Uma Carta Sombria de Amor ao Cinema

é uma obra sobre:

  • o custo da arte,
  • a fragilidade da memória,
  • a política do entretenimento,
  • o poder da narrativa,
  • e a solidão do criador.

Fincher revisita o passado para refletir sobre o presente — mostrando que as estruturas de poder de Hollywood não mudaram tanto assim.

É um filme melancólico, elegante, duro e belíssimo.


 



terça-feira, 16 de setembro de 2025

Okja (2017) - 2 h

Uma jovem arrisca tudo para impedir que uma empresa multinacional sequestre sua melhor amiga, uma criatura fascinante chamada Okja.


Dir: Bong Joon Ho



DOWNLOAD E ONLINE: MEGA
1080p.WEBRip.x264
LEG: Português


IMDB: 7,3   METASCORE: 7,5


Consenso dos críticos

Okja vê Bong Joon-ho continuando a criar entretenimento desafiadoramente eclético - e ainda atingindo mais do que o suficiente de seus alvos narrativos no meio de um complicado malabarismo tonal.

Tilda Swinton, Paul Dano, Jake Gyllenhaal, Lily Collins,